Por que as pessoas (ainda) acreditam em meritocracia?


Meritocracia, uma palavra envolvida em polêmica ao menos nas discussões casuais. Falamos aqui do papo de bar, do grupo do "zap" porque no meio acadêmico há um consenso de que, principalmente nesta tão amada república chamada Brasil não existe ascensão social através dessa famigerada teoria. Mas por que muitas pessoas ainda acreditam na tal da meritocracia?

Talvez um psicólogo ganhador do Nobel de economia possa ajudar.

No entanto vamos fazer uma alegoria que talvez te ajude a se colocar na pele dessas pessoas de uma forma mais simples:
Imagine que você está num jogo que não entende bem as regras, mas que acredita que tem uma chance de ganhar, mesmo que seja baixa. Mas aí alguém propõe mudar as regras no meio do jogo, dizendo que todos os jogadores são iguais e que prêmio será dividido entre eles, desconsiderando todo o seu investimento anterior.

Parece injusto, não? 

Essa é a ótica daqueles que realmente acreditam que a ascensão social no Brasil se dá através da meritocracia. O problema é que como eu disse, você não conhece bem as regras do jogo, porque isso aqui é o Brasil. Um país onde segundo relatório da OCDE de 2018 leva em média 9 gerações para uma família sair da pobreza quando em outros países a média seria 5.

Traduzindo: dividir o prêmio entre todos é melhor porque:

nesse jogo de cartas marcadas você muito provavelmente NUNCA vai ganhar!

Para o psicólogo Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de economia e autor do livro "Rápido e Devagar" a gente não toma decisões muito racionais, principalmente quando há emoção envolvida. Para Kahneman quanto mais investimento emocional envolvido, mais difícil é para largar uma operação. Mesmo que ela venha dando prejuízo de forma sistemática.

Muitas pessoas acabam perdendo tudo nas apostas, mercado de ações e etc, por exemplo, porque acreditam que podem recuperar o seu dinheiro ao invés de desistir diante das primeiras evidências de que isso é uma furada, o que seria mais racional.

Talvez essa falta de racionalidade, e até mesmo de equilíbrio emocional do brasileiro médio preso a esse sistema cruel seja o motivo de tanto apego a um esquema social perverso como o nosso.

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