O reconhecimento do artista
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| Arte abstrata de Lucas Ksenhu, obtida aqui. |
Quem faz arte faz pro outro, senão, talvez a gente não esteja falando de arte, mas de outra coisa. O que será que faz um artista se sentir reconhecido como tal?
Dinheiro e fama?
Se é por dinheiro, já precisamos encerrar o assunto por aqui. Nessa sociedade tão desigual onde muitos tem tão pouco para que tão poucos tenham muito se acaba criando essa ilusão de que dinheiro traz felicidade (favor não confundir com ausência de dor social) e/ou realização pessoal. Isso é uma ilusão sustentada por aqueles que estão no topo da pirâmide social do capitalismo para quem convém que os que estão na base acreditam no mito da ascensão social. É extremamente conveniente que o motoboy explorado acredite que pode se tornar um bilionário dono de big tech, por exemplo. Ou um artista periférico acredita que pode concorrer de igual pra igual com alguém que tenha sobrenome famoso e viva de renda, tendo tempo pra estudar e treinar sua arte sem a preocupação dos boletos no fim do mês.
Tendo isso em vista, a coisa de ser famoso não necessariamente está vinculada a ganhar dinheiro, afinal existem muitos milionários e até bilionários desconhecidos no nosso país. Talvez, a ânsia do artista ser famoso talvez rime com o desejo de ser reconhecido.
Ser profissional, por exemplo, já lhe permite ganhar dinheiro com a sua arte e se alguém te paga isso significa um reconhecimento dentro da lógica do capital. Mas vamos combinar que quem é artista não quer apenas dinheiro.
Então mais fama que dinheiro?
Depende. Artistas não querem apenas ser um rosto conhecido, querem ser reconhecidos por uma habilidade em especial.
Qualquer participante de reality show se torna famoso nas redes sociais e, falando delas, temos que falar também dos influencers, pessoas que vivem de vender seu estilo de vida, uma ficção baseada numa realidade pouco tangível, mas que é engolida como uma pílula analgésica para pessoas que necessitam de um conteúdo leve e de fácil digestão – o que é completamente compreensível (na minha opinião).
Pessoalmente, conheço escritores profissionais, o seja, gente que ganha dinheiro com sua arte, que reclama de ter mais audiência com seus vídeos e outros materiais que publica nas redes do que com sua arte literária. Então isso significa que o artista quer ser reconhecido, mas quer ser reconhecido especificamente pela sua arte e nada mais.
Então não é só ser reconhecido, mas sim se reconhecido pelo que faz. Ser reconhecido pelo OUTRO. O capital reconhece com dinheiro, mas e o Outro? Talvez o Outro reconheça com equivalências, seja aos clássicos ou aos gênios. Seja com ovacionar do público, seja no afeto coletivo.
Mas talvez o mais importante seja o próprio reconhecimento.
Você se reconhece enquanto artista? Como alguém que solidifica sentimentos e permite que eles atravessem o espaço tempo sendo estes compreendidos através das gerações, fronteiras e culturas? Talvez entender a sua arte enquanto essa seta que atravessa a realidade é que permita que você se autorize a fazer arte.
Ah, e falando em reconhecimento.
Recentemente o escritor e booktoker (termo para quem fala de livros no tiktok) Henggo fez um novo vídeo sobre a minha obra a Palavra-Humana no seu quadro "lavando o livro sujo". Neste ele faz uma resenha completa onde delineia suas impressões sobre a obra. Fiquei muito feliz com esse vídeo, vale a pena conferir:
@henggolivros A PALAVRA-HUMANA — No primeiro "LAVANDO LIVRO SUJO" de 2026, vamos mergulhar no livro "A Palavra-humana", de Tiago da Silva Cabral. Vista-se do conceito de ser a Pessoa-Que-Lê, encare o fato de viver dentro de um livro, tente reescrever a própria história e embebede-se da realidade trazida pela Ancorner. A palavra-humana está te observando. #henggo #reflexão #booktokbrasil #livrostiktok #lavandolivrosujo ♬ som original - Henggo || Escritor

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